sábado, 23 de novembro de 2013

E APOIS! - NOVA REPÚBLICA: VELHAS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS.


OS “ELES” QUEREM NOS FAZER CRER que vinte e cinco anos decorridos desde a instauração da Nova República, pela Constituição Cidadã, não seja tempo demasiado para consolidar práticas menos nefastas, e, portanto, aptas a iniciar o processo de amadurecimento republicano que a sociedade brasileira almeja no trato da coisa pública. E, por isso, faz-se, ainda, necessário contemporizarmos com o modo peculiar e antirrepublicano como as instituições são tomadas de assalto pelas oligarquias remanescentes, passando de pai para filho o controle sobre elas.

E isto é perceptível quando nos detemos um pouco e analisamos a trajetória pecaminosa que a recente história do Brasil desvela, na tentativa mal fadada de nossos administradores públicos em consolidar instituições verdadeiramente democráticas e republicanas, livres das mazelas do personalismo e da imoralidade administrativa, tão corriqueira e fatalmente nociva a qualquer nação que pretenda expurgar do cotidiano as práticas coronelistas do clientelismo e do assistencialismo eleitoreiro. E ao constatar que na política brasileira condutas reprováveis se revestem em vantagem lícita para captação de sufrágio eleitoral pelos partidos.

Diante disso, ouvir de uma pessoa leiga: “Se no Brasil o comando das instituições é passado de pai para filho, como uma espécie de herança ilícita, a exemplo das Prefeituras, dos Estados e da Magistratura Superior, ou seja, como as velhas capitanias hereditárias, então não há republicanismo, e sim, absolutismo disfarçado”. Os Cientistas Políticos e outras pessoas letradas a serviço dos “Eles” dirão que o país carece, ainda, de experiência republicana pela sua incipiência, apesar de termos passado pela Republica Velha, República Nova e, agora, a Nova República.

E quanto ao administrado, que peregrina pelos corredores das Instituições Públicas sem conseguir resolver coisas simples. Devido aos entraves burocráticos criados pelos apaniguados políticos, que ocupam ilegalmente as funções do Estado e, num vilipêndio voraz, dilapidam o erário, com o objetivo escuso de arrecadar recursos para financiamento das campanhas da mesma espécie deletéria de governantes que se revezam no poder desde o Império, entenderá ele, algum dia, que Temporariedade, Eletividade e Responsabilidade, são elementos indissociáveis ao sistema republicano?  E que, quando se fala em fortalecer a República no Brasil, quer-se, ao mesmo tempo, deixar subentendido que o que se pretende, de verdade, é tornar cada vez mais robustas as velhas oligarquias carcomidas pelo rancor e pelo desprezo ao povo brasileiro?

É, por essas e outras,  que pouco se tem para comemorar neste dia quinze de novembro. A menos que, como é comum em época de copa do mundo, enchamos nosso peito do falso orgulho que nos proporciona a “pátria de chuteiras” e façamos ecoar nos quatro cantos da terra nosso amor incondicional pela nossa “Pátria Amada, Salve! Salve-se quem puder!” E quem sabe nos esqueçamos da insignificância que o Estado “Dos Eles” reserva ao cidadão.

ENTÃO, como dizia um historiador português do século dezoito: “No Brasil cada homem é uma república”. E, para arrematar, é oportuno repetir as palavras do escritor paulista Oswald de Andrade: “O Brasil é uma república cheia de árvores e pessoas dizendo adeus”. Acontece que, assim como a decência, em terras tupiniquins, árvores são cada vez mais raras. EU É QUE NÃO ACREDITO MAIS NOS “ELES”. E VOCÊ?

domingo, 3 de novembro de 2013

E APOIS! - ENEM: OPORTUNIDADE OU EXCLUSÃO?



OS “ELES” QUEREM NOS FAZER CRER que a melhor forma de democratizar o ensino superior no Brasil é através de exames excludentes, cujos critérios avaliativos perpassam ao longe do que se pode chamar de processo isonômico. É o caso do Exame Nacional do ensino Médio, ENEM, que se consubstancia num verdadeiro tratamento igualitário entre os desiguais, perpetuando, portanto, as desigualdades. Porque, as famílias abastardas que, tradicionalmente, sempre ocuparam as vagas nas melhores universidades públicas, as federais, por nunca lhes faltar recursos para enviar seus filhos a qualquer lugar do país, é quem continua se beneficiando.

Diferentemente, dá-se, porém, com os filhos da classe trabalhadora, cada vez mais longe do sonho do curso superior, devido ao desequilíbrio de armas entre eles e os filhos dos “Eles”, já que estes últimos frequentam as melhores escolas de ensino básico, preparando-se para o ENEM, enquanto os primeiros atrofiam ainda mais sua escassa inteligência, minguando nas cadeiras desconfortáveis dos depósitos de embrutecimento que o governo denomina, e, resignados, nós aceitamos chamar de escola pública. E, desse modo, vão os filhos da opulência se eternizando nas funções de comando.

Diante disso, ouvir de uma pessoa leiga: “Se no Brasil o sujeito só tem importância se é doutor, mas não há universidade suficiente para fabricar os doutores que o país precisa, então está na hora de importar, além dos médicos cubanos, outros profissionais mais eficientes que os nossos, para ensinar ao jovem brasileiro o que nossas escolas não conseguem”. Os educadores e outras pessoas letradas a serviço dos “Eles” dirão que, pela atual conjuntura educacional do país, em que os investimentos só tendem a crescer, não tardará a sermos reconhecidos como grandes cientistas.

E quanto ao jovem que nunca teve acesso a uma publicação científica, por serem elas quase inexistentes no Brasil dos doutores de “status” e dinheiro, tendo que responder a questões formuladas no ENEM com base nestes “folhetins científicos” de língua inglesa, entenderá algum dia que esse tipo de exame, assim como os antigos vestibulares, supre, ao mesmo tempo, a escassez de ofertas de vagas pelo Estado e a necessidade de investimentos em alunos de boa formação básica?  E que, quando se fala em educação para todos, quer-se, ao mesmo tempo, dizer que apenas alguns privilegiados terão esse direito?

Por essas e outras, é que temos uma juventude letárgica, perdida num amálgama de preocupações frívolas, inúteis. Uma juventude acrítica ante a grandiloquência “Dos Eles” em pré-fabricar discursos rebuscados para manter o “status Quo” de uma classe parasitária e indiferente, que despreza o povo ao subsidiar a tese de “total insignificância do cidadão perante o Estado”, enquanto refestela-se na benevolência dirigida das políticas públicas.

ENTÃO, como se diz por aí, que padece de tremenda ingenuidade aquele que crê numa justa divisão de oportunidades entre ricos e pobres, sem que uma colisão provoque a devida ruptura, invertendo a ordem das coisas para que sejam os iguais tratados de modo igual e os desiguais de modo desigual, conforme preceitua o bom direito, não há como esperar um por vir. EU É QUE NÃO ACREDITO MAIS NOS “ELES”. E VOCÊ?

E APOIS! - PRÉ-SAL: O PETRÓLEO DO FUTURO É MESMO NOSSO?



OS “ELES” QUEREM NOS FAZER CRER que a descoberta da camada Pré-sal, dado o volume incalculável de petróleo ali existente, segundo afirmações eufóricas do governo, é marco histórico e suficiente para a redenção da miséria no Brasil. Ainda mais, porque todo faturamento com a expressiva produção deverá ser direcionada ao financiamento da saúde e da educação, conforme decisão consensual dos nossos bem intencionados parlamentares. Resta-nos, portanto, o acalento de que o tão propalado país do futuro se concretize nas próximas duas décadas, quando a produção petrolífera nacional alcançará seu apogeu. 

Entretanto, o que parece estranho é o desinteresse das grandes multinacionais como Shell, Chevron, dentre as consideradas empresas de ponta no setor de exploração de petróleo em águas profundas, em arrematar lotes nos leilões oficiais. É o caso do leilão do Campo de Libra, reserva apontada pelos especialistas do governo como a bacia com potencial para produzir mais barril de petróleo do que já fora produzido nos sessenta anos de existência da Petrobras. Alavancando, de acordo com as previsões otimistas do governo, o Brasil para o quarto lugar no ranking dos produtores do “ouro negro”. E, desse modo, reforçando em nós a esperança de que o Brasil é mesmo o país do futuro.

Diante disso, ouvir de uma pessoa leiga: “Se há quinhentos anos nos é dito que o Brasil é o país do futuro, e esse futuro nunca chega, então está hora de lutarmos pelo Brasil de hoje, para que este tenha futuro”. Os sociólogos e outras pessoas letradas a serviço dos “Eles” dirão que, pela atual conjuntura econômica e social do país, em que o assistencialismo e o clientelismo eleitoreiros têm sido suplantados pelas políticas afirmativas oficiais, não tardará a sermos reconhecidos como civilizados.

E quanto ao contribuinte, que mesmo tendo o Brasil alcançado a suficiência na produção de petróleo, continua pagando o litro de gasolina mais cara do continente americano, entenderá algum dia que nem sempre as palavras expressam exatamente o que dizem, devido ao alto grau de polissemia da língua portuguesa?  E que, quando o discurso oficial fala em autossuficiência, quer, ao mesmo tempo, dizer que isto significa apenas uma meta traçada para minimizar os efeitos da escassez?

Por essas figuras de linguagem, fartamente utilizadas pela oratória, e a capacidade grandiloquente “Dos Eles” inventarem e reinventarem os discursos políticos é que o contribuinte vai sendo convencido de que precisa fazer sacrifício cada vez maior, suportando uma carga tributária predatória para assegurar o “status Quo” de uma classe parasitária e voraz que despreza o povo ao promover orgias com o erário público, refestelando-se na impunidade e na iniquidade.

ENTÃO, como se diz por aí, que “quando se diz alvo, pode se estar querendo dizer o inatingível”, talvez um dia no futuro se descubra que o Brasil, ao negligenciar o presente, esperando pelos dias vindouros de riquezas incontáveis soterradas na camada Pré-sal, tenha condenado seu passado ao esquecimento, e, por isso, não haja mais um por vir. EU É QUE NÃO ACREDITO MAIS NOS “ELES”. E VOCÊ?

sábado, 19 de outubro de 2013

INSULTOS



  
A náusea me assoma.
E me faz vomitar a hipocrisia nos lençóis brancos
Nenhuma compaixão acalento!
Prefiro risos exaltados,
Fanfarras e chacotas
Que ridicularizem os bons modos.

Não devo desculpas
Pela inconveniência pública,
As grosserias, as ofensas feitas ou sofridas.
A insolência é desejável.

Antes o ultraje às boas maneiras.
Festejar com a súcia
E se comportar mal durante o jantar.
Para assim, revelar a poeira no caráter
E a sujeira que se esconde sob o tapete da virtude.

Adão Lima de Souza
Do livro A Vela na Demasia de Vento.

E APOIS! - EDUCAÇÃO: O PROFESSOR SÓ MERECE UM DIA?



OS “ELES” QUEREM NOS FAZER CRER que reservar um único dia do ano é mais que suficiente para homenagear o professor, profissional de valor inestimável por agregar em si o potencial necessário para realizar as transformações sociais que este país precisa. Isto porque, a educação no Brasil foi sempre tratada como negócio privado. Cabendo exclusivamente às famílias, conforme a posse financeira de cada uma, financiar o estudo dos filhos, quando deveria ser entendida como serviço essencial,  custeada pelo  Estado com os impostos pesadamente cobrados de toda sociedade, como bem recomenda a nossa incipiente constituição.

E é  por esta razão que o país nunca se decidiu a investir em educação pelo menos dez por cento do PIB, conforme reivindica a bancada da educação no Congresso Nacional, inspirada nos feitos das grandes nações europeias, e a norte americana que dominam quase a totalidade das patentes científicas.  Diferente disso, o Brasil nem sequer consegue manter as escolas de ensino básico funcionando num padrão aceitável. Pois os governos brasileiros, em suas diversas esferas, desenvolvem um pragmatismo fundado na desvalorização do professor, através da política de desestímulo, achatamento dos salários e da degradação das condições de trabalho .

Diante disso, ouvir de uma pessoa leiga: “Se o conhecimento é a moeda poderosa que todos afirmam ser, mas o Brasil não faz os investimentos necessários em educação, então viverá a nação sempre subordinada ao saber alheio”. Os doutores e outras pessoas letradas a serviço dos “Eles” dirão que, na atual conjuntura econômica, para o povo o emprego e saúde são mais prioritários que a educação.

E quanto ao trabalhador braçal que sonha em ter um filho doutor, entenderá algum dia que seu direito à educação de qualidade, assegurado pela constituição não passa de mera expectativa? Pois que, numa sociedade meritocrática e injusta como a nossa, a base de sustentação do “status quo” é sempre o legado de miséria. E, entenderá, por fim que, quando se fala em bem comum, quer-se, todavia, ao mesmo tempo, dizer que numa sociedade capitalista o mais comum é não se ter bem?

Por essas e outras, que há escolas iguais para pessoas iguais, enquanto “Os Eles”, pagando caro pela educação básica de seus filhos nas escolas privadas, dominam a maioria das vagas disponíveis nas universidades federais, deixando os filhos de trabalhadores a mercê das faculdades mercantilistas ou de autarquias gananciosas por mensalidades. E, assim, vai se confirmando a suspeita do poeta de que somos todos “iguais em desgraça”.

ENTÃO, como se diz por aí, que a vida é a melhor escola, talvez vivamos mil anos mais para descobrir novas lições que nos faça crer que havia outras possibilidades, se ousássemos sonhar como parece próprio do ser humano. EU É QUE NÃO ACREDITO MAIS NOS “ELES”.

E APOIS! - A Constituição de Papel: Repressão aos Professores.



OS “ELES” QUEREM NOS FAZER CRER que o aniversário de vinte e cinco anos da Constituição traduz de fato o pleno exercício da cidadania no Brasil. E que, apesar de muitos dos direitos nunca terem saído do papel, passamos por um amadurecimento profundo nas relações democráticas. É o caso da greve de professores no Rio de Janeiro, onde os direitos e garantias fundamentais se materializam pela ação truculenta do Estado ao reprimir, com bombas, socos e pontapés, a manifestação legal desses profissionais já tão massacrados pela política educacional de nossa incipiente (e insipiente) república.

E não seria diferente, já que com o cidadão dito comum, o diálogo sempre foi mediado pela força policial ou pelas instâncias judiciais validando a violência com liminares  e reintegrações de posses. Independentemente de apreciação da legitimidade do protesto, suscita-se logo à manutenção da ordem pública e a polícia sai distribuindo pancada pra todo lado, coibindo o vandalismo com rigor e brutalidade, a fim de que “perigosos professores” não ponham em risco o funcionamento normal das instituições democráticas, tão afetuosamente subtraídas pelos  governantes nos tenebrosos esquemas de corrupção que se alastram desde a diretoria dos sindicatos de classes até a antessala da Presidência da República.

Diante disso, ouvir de uma pessoa leiga: “Se há o direito de reclamar, mais esse direito deve ser exercido de forma tímida, silenciosa, sem revolta, então não é protesto, é marcha para Jesus”. Os doutos e outras pessoas letradas a serviço dos “Eles” dirão que o direito à livre manifestação existe, se e somente se, não frustrar o interesse “Deles”.

E quanto ao trabalhador que é violentamente reprimido pelo patrão que só visa o lucro, pela polícia se reivindicar qualquer direito, pelo governo quando faz greve, pelo ladrão, tomando porrada sempre que reclama de alguma coisa errada, entenderá algum dia que direitos e deveres são para todos, pelo menos no papel? E que quando se diz que todos são iguais perante a lei, quer-se, todavia, ao menos tempo, afirmar que a lei não é igual perante todos?

Pois, se os direitos existem apenas como possibilidades, vinte e cinco anos de uma Constituição que não se efetivou minimamente, consubstanciando-se, ainda, numa promessa falsa de amor, não nos transforma em nada além de cidadãos de papel.

Por essas e outras, enquanto a polícia disciplina os professores “mal educados” à custa de cassetetes e bombas de efeito moral, “Os Eles”, regalam-se na impunidade sobre o pretexto de preservação das instituições. E cada ato truculento contra nossos professores demonstra cabalmente o desprezo que nutrem pelo povo, deixando evidente a total  “insignificância do cidadão perante o Estado”.

ENTÃO, como se afirma na imprensa fascista manipulada pelos “Eles” que protesto legítimo é protesto pacífico e ordeiro, pelo menos ainda nos resta o direito ao vandalismo verbal. EU É QUE NÃO ACREDITO MAIS NOS “ELES”.